Maria Bardelli era uma mulher de 80 anos com cabeça de 20.
Costumava reunir em sua casa, pessoas interessadas no Conhecimento, jovens em geral, para troca de experiências. Dizia: você precisa fazer coisas novas, arriscar-se, expor-se mais, não tenha medo de errar, saia da rotina.
Decidi que iria para os EEUU, sem dinheiro, para ver como ia me sair.
Saí da casa dela, com uma conhecida, quase amiga e fomos tomar um café num hotel, por perto.
Disse-lhe que pretendia viajar em breve, embora não tivesse dinheiro. Para minha surpresa, ela respondeu: a passagem você já tem, eu vou te dar de presente, quero ajudá-la porque você parece muito decidida, e eu gosto disso.
Arranjei 100 dólares emprestado e fui para Miami, sem destino certo.
Tinha o telefone de uma conhecida. Desci do aeroporto e fui para a praia. Entrei no mar de roupa e tudo. Sentia-me a pessoa mais livre do universo. Passado este momento de embriaguês, entrei em pânico. O que estou fazendo aqui com 100 dólares no bolso?
Provavelmente terei que voltar para o aeroporto e embarcar para o Brasil ainda hoje. Liguei para a conhecida e disse que pretendia visitá-la. Contei minha situação a ela. Não podia ser tímida, a situação não permitia. Ela foi direta. Meu marido não vai querer você aqui, mas, tenho um amigo que mora sozinho num hotel e está doente. Acho que ficará contente em recebê-la, se você cozinhar para ele.
Topei na hora. O amigo dela também.
A noite já tinha um lugar para morar, um trabalho cozinheira, outro de baby-siter encaminhado e uma
festa para ir. A festa foi fantástica.
Deus ajuda quem se arrisca a viver com intensidade.
Seis meses depois, terminado o meu visto, voltei com 100 dólares no bolso e muito feliz.
19 de abril de 2012
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